Guerra Fria (2018)

BLOG cinefletindoBLOG Zimna Wojna (Pawel Pawlikowski, 2018) pol (3A)

Um casal ligado pela música. Uma celebração da paixão como força incondicional. Uma história permeada por idas e vindas, encontros e desencontros, conexão e desconexão. Rico em imagens e econômico em diálogos, um lindíssimo e instigante filme para refletir sobre o amor.

Segundo o diretor polonês, Pawel Pawlikowski , “É uma história poderosa com todas as suas ambiguidades e contradições. É uma história incomum e excêntrica… Muitos vieram até mim e disseram ‘É exatamente como a minha história”. Mas não, não é. É sobre a Guerra Fria, o comunismo, o exílio. Mas ainda assim, as pessoas encontram algo de sua própria história de amor fragmentada, talvez de sua impossibilidade de amar… A questão é que não tenho certeza sobre que tipo de amor há em ‘Guerra Fria’ – em nenhum momento estão muito felizes! Há momentos em que é bom, mas nunca é totalmente satisfatório e puro e imediatamente se corrompe e torna-se algo diferente. Apenas no final da história, em que não têm mais forças para lutar e encontram-se sozinhos, quando ninguém mais os entende tão bem quanto um ao outro, você pode dizer que foi uma ótima história de amor. Que era amor, mas não parecia amor… É exatamente o tipo de filme que eu gosto, onde muito é deixado por dizer, mas é sugerido. Onde há lacunas para imaginar. Quando nem tudo está lá para explicar, mas para fazer você experimentar e encontrar a sua própria explicação.”


Título Original | Inglês: Zimna Wojna | Cold War

Direção: Pawel Pawlikowski

Avaliação: IMDB_Logo_2016.svg 7,8 | Roger Ebert — | images 90% | 96%


  Uma melancólica história de amor, de paixão e desejo ou simplesmente obsessão?

Neste filme, a Guerra Fria não é somente uma referência ao período histórico após a Segunda Guerra Mundial, é também o adjetivo perfeito para o próprio relacionamento que se estabelece, uma guerra fria constante, intensa, marcada por feridas e ressentimentos mútuos, chegando a transformar-se em ódio, ocasionalmente; uma batalha entre a paixão que um sente pelo outro e suas respectivas realidades e desejos ou, em uma instância mais profunda, o resultado de buscar no outro o preenchimento de seu próprio vazio existencial.

Para Eric Fromm – psicanalista, filósofo e sociólogo alemão, existimos para amar, nascemos com o desejo de amar e de sermos amados. Amar dá sentido e propósito às nossas vidas.

O amor é a única resposta sã e satisfatória
ao problema da existência humana.
— ERIC FROMM —

Isto nos leva à seguinte e crucial questão: o que é o amor, o que significa amar para cada um de nós? Sim, para cada um de nós, pois, segundo Dalai Lama, “Neste mundo não existe verdade universal. Uma mesma verdade pode apresentar diferentes fisionomias. Tudo depende das decifrações feitas através de nossos prismas intelectuais, filosóficos, culturais e religiosos.”.

Para mim, e esta é minha prerrogativa de verdade individual, amor e sentimentos como desprezo, ressentimento ou mesmo ódio são incompatíveis; amar conscientemente significa amar desinteressadamente. Compreende o desejo sincero de que o outro realize seu potencial e seja feliz sem esperar absolutamente nada em troca.

De todas as histórias contadas no cinema, a ‘Trilogia Samurai‘, do diretor Yoji Yamada, é o que eu chamo de a ‘expressão pura do amor’ e, por conseguinte, ‘Guerra Fria’ não se trata de uma história de amor. Inquestionavelmente, é um filme para refletir sobre o significado do amor.

Se você ama uma flor, não a colha.
Porque, se você colhê-la ela morre e
deixa de ser o que você ama.
Então, se você ama a flor, deixe-a
estar. O amor não está na posse.
O amor está na apreciação.
— OSHO —

Pode parecer redundante, mas quando você ama, você simplesmente ama. Muito bem explicitado por Gottfried Wilhelm Leibniz – matemático e filósofo alemão, “Amar é encontrar a própria felicidade na felicidade alheia”. Namastê!


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